Preocupações do Setor Hortícola do Oeste | COVID-19

AIHO – Associação Interprofissional de Horticultura do Oeste, em representação dos horticultores da zona Oeste, mais precisamente dos seus associados, manifestou numa carta enviada à Ex.ᵐᵃ Sr.ᵃ Ministra da Agricultura, Maria do Céu Albuquerque, as dificuldades sentidas no setor, face à atual pandemia COVID-19.
Recordou a importância da agricultura, hoje e sempre e, os desafios que estão pela frente. A produção destes bens não para. O setor hortícola vive uma situação de grande instabilidade e insegurança.

É neste momento, que o setor agrícola demonstra a sua importância, que em outras ocasiões normais do dia a dia, se encontra esquecida. Os produtos, são dados como garantidos e a sociedade não se apercebe da logística que existe para que os bens, possam estar disponíveis para cada um de nós.

Encontramo-nos numa fase em que a horticultura aumenta o volume de trabalho, ocorrendo o pico de maior necessidade de mão de obra, tanto na produção como nas centrais hortícolas. Já se verifica o impacto da COVID-19, com uma quebra na disponibilidade da mesma, na ordem dos 20% a 30%, sendo previsível que com o evoluir da situação esta percentagem venha a aumentar e agravar o impacto na produção e distribuição de hortícolas.

Face a este cenário, estamos preocupados com o agravar desta questão, mas também, relativamente à escassez de EPI’S (Equipamentos de Proteção Individual), bem como produtos de desinfeção, dificultando a garantia de segurança dos trabalhadores.

Quanto a culturas protegidas, nomeadamente a cultura do tomate, na região Oeste é a principal cultura sob coberto, ocupando mais de 80% da área de estufas existente nesta região. Sendo a principal região de produção do país, irá entrar em fase de colheita dentro de 15 dias, representando uma produção nos próximos 3 meses de mais de 50.000 toneladas.

Os produtos consumidos em cru, como por exemplo a alface e o morango, têm vindo a sofrer uma abrupta quebra no consumo, a insegurança que o consumidor atribui ao consumo dos mesmos pode ser a justificação (ainda que seja por profundo desconhecimento e informação distorcida). Pode-se afirmar que já existem agricultores a abandonar as suas explorações agrícolas devido à interrupção do consumo destas e de outras culturas.

As empresas de viveiros de hortícolas estão, também, a sentir uma redução muito significativa nas suas vendas, com o fechar dos pequenos mercados locais e outros pontos de venda. Em alguns casos esta situação está a tornar-se insustentável.

O setor hortícola vive uma situação de grande instabilidade e insegurança. É de frisar que o sector está na luta, está empenhado e a trabalhar diariamente para que os produtos hortícolas não faltem aos portugueses, garantindo que a cadeia de abastecimento alimentar não tenha quebras.