10 de Dezembro, 2012
Texto publicado no caderno de resumos do simpósio “Culturas sem solo e as novas tecnologias”.
por Eng. João Loureiro
A Região Oeste é desde há muito
tempo reconhecida pelo seu potencial produtivo no sector hortícola. O
surgimento da primeira estufa a produzir em sistemas de cultivo sem solo data
de 1997 e localizava-se na Silveira, na exploração agrícola Sociroques, lda e a
sua primeira cultura foi curiosamente o tomate, numa área de 1500m2, embora não
tenha sido a mesma a motivar a implementação deste sistema. Na época a cultura
do feijão verde assumia especial importância e a sua produção estava em risco
devido aos problemas de solo consequentes de uma monocultura com especial
relevo no mercado nacional e até internacional. Como forma de dar continuidade
aos níveis de produção praticados e contornar os problemas radiculares surgiu a
ideia de produzir esta cultura em substrato. A lã de rocha foi a primeira opção
encontrada, porque era na altura o substrato mais adequado e disponível no
mercado. Esta matéria prima era conjugada com um sistema de fertirrega
rudimentar comparativamente com os sistemas actuais, o primeiro programador de
rega foi uma adaptação a partir de equipamentos de jardinagem e não considerava
o factor radiação solar na tomada de decisão.

Na época esta experiência
tornou-se num ponto de atracção para muitos agricultores, comerciantes e outros
profissionais do sector hortícola e até cidadãos curiosos que pretendiam saber
mais sobre este sistema de cultivo. Rapidamente surgiram outros produtores que
copiaram a ideia e no espaço de um ano a área cultivada com este sistema subiu
para dois hectares de cultivo exclusivo de feijão verde. Após dois anos de monocultura
sobre o mesmo substrato surgiram graves problemas radiculares que encorajaram a
experimentação de novas culturas, tendo-se destacado a cultura do tomate, que
desde então fez o seu caminho até aos dias de hoje. A partir de 1999 deu-se um
grande crescimento desta prática e uma crescente incrementação de conhecimento
e novas tecnologias, em muito proporcionado pelas empresas de venda de factores
de produção que operam na região. Surgiram os primeiros programadores de rega
que contabilizam a radiação solar, novos substratos (ex: fibra de coco) e
técnicos mais capacitados para apoiar a implementação e gestão destes sistemas,
o que deu origem a um substancial aumento de qualidade e de produção das
culturas.
Actualmente a Região Oeste possui
cerca de 150ha de cultivos sem solo, maioritariamente cultivados com tomate.
Com importância muito reduzida surgem as culturas da courgette e pepino.
Curiosamente a cultura do feijão é hoje quase inexistente. O mercado cresceu
para os produtores da região e a exportação assume cada vez maior importância
no escoamento da produção. Consolidaram-se as relações comerciais com o mercado
de Madrid, principal destino da produção, e surgiram novos destinos como
França, Alemanha, Holanda e Itália.
Ao nível da produção levantam-se
alguns desafios essenciais para o sucesso deste sistema e da horticultura da
região e do país:
Desenvolvimento de conhecimento e
tecnologias acessíveis à produção que permitam a reciclagem de substratos e
águas de rega de forma a poderem ser reutilizadas sem causar ou agravar problemas
fitossanitários e a evitar alguns problemas ambientais.
Maior articulação de esforços na
investigação, experimentação e divulgação de resultados técnicos ao nível do
melhoramento de variedades, das fertilizações e restantes práticas culturais
das culturas hortícolas, trabalho para o qual é imprescindível a colaboração
das diversas entidades que operam na região e das instituições de investigação
científica.

Livro de resumos (aqui).

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