20 de Dezembro, 2012

Texto publicado no caderno de resumos do simpósio “Culturas sem solo e as novas tecnologias”.
por Eng. Carla Miranda.
O sistema de culturas sem solo tem vindo nos últimos anos a aumentar significativamente de importância. Por um lado, devido ao crescente aumento das áreas de produção em localizações anteriormente ocupadas por floresta, por outro, pelo cansaço demonstrado por zonas onde a horticultura é centenária
Os diferentes tipos de solo na mesma exploração e a heterogeneidade e comprometimento da qualidade de produção são outras razões pelas quais os agricultores tanto têm optado por este sistema de condução. Contudo, constatam-se diariamente diversos estrangulamentos à aplicação deste sistema. No caso concreto da Região Oeste destacamos os seguintes:
Insuficiente número de técnicos com habilitações e experiência adequadas ao tipo de assistência exigido neste sistema de produção;
Crescente aumento do custo dos factores de produção, exigindo a recirculação da solução nutritiva drenada;
Ineficácia da desinfeção das soluções nutritivas recirculantes e possível descontrolo de alguns problemas fitopatogénicos transmitidos por via radicular;
Necessidade de maior incidência nos registos de CE e PH e subsequente interpretação;
Menor leque de culturas possíveis de cultivar;
Aquando da instalação é vulgar: nivelamentos desadequados (% declive); determinação de áreas e divisão desadequada de sectores; desajuste entre o tipo de substrato e as culturas praticadas; substratos em lotes demasiado heterogéneos;
Utilização de algumas águas de má qualidade – ponderar a necessidade de ter captação de água superficial para melhoria da água disponível;
Falta de alguns equipamentos fundamentais para a sustentabilidade da exploração;
Perda de autonomia por parte dos produtores que ficam mais dependentes do acompanhamento técnico;
Por vezes as reacções espontâneas de produtores ou técnicos que desconheçam a composição da solução nutritiva aconselhada comprometem os objectivos de produção ao nível da quantidade e da qualidade – as plantas reagem muito rapidamente neste sistema.
A harmonização tardia dos produtos fitofarmacêuticos conduz à perda de competitividade por parte dos empresários agrícolas relativamente aos seus principais concorrentes. Este factor tem conduzido ao aumento da procura de produtos classificados como adubos CE e dos quais se desconhece a composição por forma a tornar possível a sua comercialização.
Livro de resumos (aqui).