23 de setembro de 2013

Mosca-tigre - um predador nas estufas do Oeste


Mosca-tigre - um predador nas estufas do Oeste. Este é o tema de uma das intervenções que ocorrerão no Colóquio Culturas Protegidas (ver aqui) que a AIHO está a promover em colaboração com os seus autores. Um conjunto de investigadores estiveram envolvidos num projecto de estudo deste predador natural e os resultados desse trabalho serão apresentados no próximo dia 3 de Outubro, pelas 14h30, em A-dos-Cunhados. Serão também apresentados os resultados de alguns ensaios que a AIHO está a realizar com uma nova forma de condução da cultura do tomate.

A mosca-tigre é uma mosca predadora, ou seja alimenta-se de outros insectos, caçando-os. Encontra-se distribuída por quase todos os continentes e, em Portugal, foi detectada pela primeira vez, em estufas de produção de hortícolas, no Oeste, em 2001, pelo agricultor Sr. José Firmino. Actualmente, sabe-se que se encontra distribuída por todo o país (continente e ilhas).

Este insecto é o único predador que se conhece a atacar adultos de algumas das pragas mais importantes das estufas, como, por exemplo, mosca-branca, larva-mineira, tripes, esciarídeos, drosófilas e afídeos. Os outros predadores actuam apenas sobre estados imaturos dessas pragas.

A mosca tigre foi estudada no âmbito do projecto de investigação Flypred, financiado pela FCT, através de fundos nacionais, que reuniu, durante três anos, uma equipa de investigadores do Instituto Superior de Agronomia, do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária e da Fundação da Faculdade de Ciências de Lisboa.

No decurso do projecto, avaliou-se o impacto da mosca-tigre nas populações de pragas de culturas hortícolas protegidas e na fauna auxiliar responsável pela protecção biológica nestas culturas (através de limitação natural/ conservação ou de tratamento biológico); realizaram-se ensaios em laboratório para determinação de taxas de predação e da preferência quanto a presas (pragas e auxiliares), e estudou-se o comportamento de predação. Foram igualmente realizadas observações em estufas. Estudou-se o comportamento da mosca tigre face à cor de armadilhas adesivas e de presas. Optimizou-se a criação da mosca-tigre, sendo que a metodologia desenvolvida permitirá aos agricultores aumentar as populações naturais deste predador nas suas estufas. Realizou-se ainda um estudo filogeográfico para esclarecimento do modo como ocorreu a dispersão da mosca tigre a nível mundial.

Nesta sessão, apresentam-se os principais resultados alcançados neste projecto de investigação, com vista à utilização mais eficaz deste predador nativo como agente de luta biológica. Informação adicional sobre este tema pode ser encontrada aqui.